Mindfulness Não É ‘Esvaziar a Mente’: O que a UNIFESP Me Ensinou

Se você já tentou praticar Mindfulness ou qualquer técnica de meditação e desistiu após dois minutos porque “não conseguiu parar de pensar”, saiba de uma coisa: você estava tentando fazer algo biologicamente impossível.

Um dos maiores mitos que cercam as práticas de Atenção Plena é a ideia de que meditar significa esvaziar a mente, alcançar um estado de transe ou apagar os pensamentos. Quando passei pelo processo de formação e vivência prática na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) — uma das maiores referências científicas no estudo de Mindfulness no Brasil —, a primeira grande lição que quebrou meus paradigmas foi exatamente esta: a mente foi feita para pensar, e o Mindfulness não busca silenciá-la, mas sim mudar a nossa relação com o ruído.

O que a neurociência diz sobre a sua mente?

Nos laboratórios de neuroimagem, descobriu-se que o cérebro humano possui uma rede neural chamada Rede de Modo Padrão (DMN). Ela é ativada sempre que estamos divagando, pensando no passado, nos preocupando com o futuro ou julgando a nós mesmos. É o famoso “piloto automático”.

Tentar forçar a mente a parar de produzir pensamentos ativa ainda mais essa rede, gerando frustração. O que a ciência na UNIFESP nos ensina é que o Mindfulness é um treinamento de fortalecimento do córtex pré-frontal. É um exercício de musculação cerebral.

A metáfora da passarela

Para entender o que realmente acontece em uma sessão de Mindfulness, imagine que a sua mente é uma calçada movimentada e os seus pensamentos são carros passando.

  • No piloto automático (Ansiedade): Você pula na frente do carro, é atropelado pelo pensamento, levado por ele e, quando se dá conta, passou meia hora ruminando uma preocupação.
  • No Mindfulness: Você aprende a sentar na calçada e apenas observar os carros passarem. Você nota o pensamento surgindo (“Tenho que pagar aquela conta”, “Acho que errei ontem”), reconhece a existência dele e, sem julgá-lo ou brigar com ele, escolhe trazer a sua atenção de volta para o momento presente (seja focando na sua respiração, nos sons ao redor ou nas sensações do corpo).

O Verdadeiro Objetivo da Prática

Mindfulness é sobre perceber que você se distraiu e ter a gentileza de recomeçar. Cada vez que a sua mente foge e você a traz de volta com suavidade, você acabou de fazer “uma flexão” no seu músculo da atenção.

Com o tempo e o treino correto, essa habilidade sai da almofada de meditação e entra na sua vida prática. Você passa a notar os gatilhos de estresse antes que eles se transformem em uma crise, ganha uma “pausa neurológica” diante das dificuldades e passa a agir por escolha consciente, não por impulso reativo.

Se você quer experimentar os benefícios validados pela ciência de um protocolo estruturado, lembre-se: pensamentos vão surgir. E está tudo bem. O segredo não é esvaziar a mente, mas sim aprender a não ser arrastado por ela.